O senador Álvaro Dias revelou numa entrevista ao jornal O Estado do Paraná que o irmão, Osmar, sabia de sua “convocação” para ser o vice de Serra – e não se opôs a isso:
- “Conversei com ele, estamos sempre juntos.Liguei para ele pela manhã, antes de aceitar a convocação. Ele me disse que é irrevogável, que não havia como recusar. Pois é a primeira vez que o Paraná tem a possibilidade de eleger um vice-presidente”, disse Alvaro.
Sobre as implicações que sua indicação para vice pode ter na candidatura do irmão ao governo do Paraná, Alvaro deixou Osmar à vontade. “Sempre dei a ele total apoio e a candidatura dele ao governo, a palavra é dele, ele que vai decidir. Se for a vontade dele é irrevogável também”, disse o senador.
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O colunista político Luiz Geraldo Mazza tem se mostrado um crítico feroz das manobras e oscilações dos irmãos Dias no jogo político.
Veja o que ele escreveu na Folha de Londrina:
“Nem Alvaro, muito menos Osmar são assim tão relevantes. Eles apenas expressam a pobreza dos nossos quadros políticos. Percebe-se também a dependência do irmão menor diante do primogênito, algo bíblico, mais Esaú e Jacó do que Caim e Abel ( … )”
” ( … ) A possibilidade de Osmar Dias segurar seu projeto governamental na hipótese de seu irmão sair vice de Serra mostra que a modernidade nos abandona e nos deixa parecidos em muitos aspectos com áreas mais atrasadas do nordeste. Basta lembrar o espetáculo de nepotismo do governo Requião”.
” Qual a imagem política que o Paraná projeta nacionalmente? A de pendular, hesitante, o que é incompatível, na forma e no fundo, com o sentido essencial dessa atividade que Aristóteles enxergou como inseparável do homem ( … ) “.
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Do jornal Hora H, ligado ao PMDB:
” ( … ) Quando não é Osmar, cuja indecisão está se tornando uma lenda que já faz parte do folclore político nacional, é Alvaro quem paralisa o jogo. Alvaro ambiciona se tornar candidato a vice na chapa presidencial do tucano José Serra e tenta amarrar o seu ingresso na vaga à desistência do irmão em disputar o governo do Paraná em aliança com o PT e PMDB.
Existiria um solene pacto de sangue de não agressão entre os dois irmãos que impediria que a dupla se enfrentasse em palanques opostos. Tal pacto, que ninguém sabe se realmente existe ou é uma invenção da qual tanto Alvaro quanto Osmar tiram proveito político quando lhes é conveniente, já foi invocado no início das negociações para formar chapas para disputar o governo do Paraná.
Alvaro Dias alegava que, se fosse candidato ao governo, ganharia com certeza porque seu irmão, Osmar, se veria obrigado a desistir por causa do tal pacto fraterno. A tese não prevaleceu porque o então prefeito de Curitiba, Beto Richa, não aceitou a idéia que a eleição deveria ser decidida como uma questão de família e entrou em campo para disputar seu espaço e impôs sua candidatura no PSDB”.