A queda acentuada de Serra ( o Zé…) nas pesquisas, depois do início dos programas de TV, acendeu a crise.
Culpa-se abertamente o marqueteiro Luiz González, da GW, que inventou de colar Serra a Lula para mostrar que ele também pode ser uma continuidade do atual governo, uma alternativa0 “mais qualificada” que Dilma. Estratégia tão interessante quanto arriscada pois exige uma sintonia fina com o passado de Serra e as demandas do eleitorado. O PSDB não faz oposição, e isso deixa indignados os tucanos mais empedernidos. Nunca fez oposição, na verdade. O Mensalão deixou de ser criticado depois que se viu que tudo começou em Minas, com um tucano. No Senado, as críticas são superficiais, de gerenciamento ou de moralidade. O PSDB não tem projeto.
Fala-se que a produtora GW teria uma grande qualidade: consistência factual e informativa de sobra, fruto de sua origem jornalística. Faltaria ela a outra ponta onde está ancorada a cabeça do eleitor – emoção, a ferramenta da fantasia e o atributo da esperança. Será isso mesmo? Segundo o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) a intenção de Gonzalez é mostrar que “Serra e Lula são “estadistas’ e que Dilma não está no mesmo patamar. Se o eleitor entender isso, será que ele quer um novo “estadista” ou exatamente o contrário, um pau mandado do Lula? Se for a segunda hipótese, é bumerangue. Se for a primeira, será um gol do Gonzalez.”
Tucanos famosos da grande imprensa estão desnorteados. Reinaldo Azevedo, de Veja, defende que Serra deva morrer em pé “com parabelo na mão”, numa alusão ao filme de Glauber Rocha, Deus e o Diabo na Terra do Sol. Morrer recitando os ideais políticos de sua convicção.
Nobre, mas parece pouco eficaz para o momento.
Augusto Nunes, cuja antipatia por Lula e Dilma é notória, segue a mesma toada do colega:
“ ( … ) O ex-governador José Serra precisa rever o histórico confronto de 1998. Decerto compreenderá que o duelo que trava com Dilma Rousseff é, como toda eleição, uma disputa política. E precisa reler com urgência o que ele próprio afirmou ao despedir-se do Palácio dos Bandeirantes.
“Os governos, como as pessoas, têm caráter”, disse Serra em 31 de março de 2010. “Caráter é índole. Ele se expressa na maneira de ser e de agir. E este é um governo de caráter, que manteve a sua coerência: nem cedeu à demagogia, às soluções fáceis e erradas para problemas difíceis, nem se deixou pautar por particularismos e mesquinharias”. Deveria ter repetido tais palavras na abertura do horário eleitoral gratuito.
Marcelo Coelho, da Folha de São Paulo, diz que Serra se atrapalha com o fato de ser oposição. “( … ) O Ibope é o ópio dos políticos. Quando estava com índices altos de popularidade, Serra não se expunha; fez o mesmo que todos os outros, aliás. Quando começou a cair, não tinha nenhum discurso em que se segurar, e acaba caindo dos dois lados ao mesmo tempo. Cai porque é oposição, cai porque tenta fingir que não é oposição, cai porque gostaria de não ser oposição, cai porque gostaria de ser mais oposição mas acha que com isso cairia mais ainda”.
Dora Kramer, crítica contundente de Lula, também abordou o assunto:
( … ) Depois de começar a campanha ainda no papel de bonzinho, Serra viu pelas pesquisas que só lhe resta fazer o que seu partido deveria ter feito nos últimos oito anos, até porque foi essa a escolha do eleitorado em 2002 e 2006: que o PSDB ficasse na oposição.
Há, entretanto, um problema. Talvez não dê certo porque o eleitorado poderá não firmar laços de confiança com candidato e partido que mudam de comportamento de uma hora para outra.
A tarefa não é simples, pois Serra se propõe a convencer o eleitorado em 40 dias de algo sobre o que o PSDB não pareceu convencido em oito anos.”.