O CANDIDATO Osmar Dias disse em seu último comício em Curitiba, com Lula, que suas pesquisas internas mostravam que já passou Beto Richa. Blogs ligados ao pedetista argumentam que as sucessivas impugnações de pesquisas por parte de Beto e aliados seriam a prova irrefutável de que o tucano não é mais o primeiro. Outro sinal: os ataques frontais a Osmar, cada vez mais freqüentes, e que dão novo rumo a campanha de Beto, antes recatada, embalada num ritmo técnico e com viés edificante.
BETO DIZ diz que não é nada disso. Que está contestando algumas pesquisas – Vox-Populi, Data-Folha e Ibope -porque seus resultados estavam sendo divulgados antes ainda da tabulação. Além disso, conteriam graves furos na metodologia. Quanto aos ataques, diz que se considera vítima, e apenas responde às agressões, que são muitas.
CONTINUAREMOS no escuro até as eleições? É possível.
O PERÍODO é propício no entanto para que vejamos estes dois personagens pelos olhos de seus marqueteiros que se empenham em criar eufemismos para os chefes e dar um novo sentido a suas atitudes. Osmar Dias, por exemplo, que foi chamado de lento, inseguro e vacilão na pré-campanha, pois não queria correr risco algum e buscava formar uma frente ideal, é apresentado agora como um homem prudente, que soube unir os contrários acima dos extremismos e ainda fez concessões, teve enorme tolerância com Requião e assumiu-se lulista, suportando incompreensões da turma conservadora. Estrategicamente, neutralizou Beto até onde pôde, deixando-o numa longa espera – a noiva na janela - para ganhar tempo e pressionar Lula e o PT.
ESSE É O OSMAR.
BETO FOI ACUSADO de desprezar os eleitores e deixá-los a ver navios na metade de seu mandato de prefeito de Curitiba – mas as coisas devem ser examinadas por outro ângulo. Eis o exemplo de alguém que não foge às convocações do eleitorado para enfrentar novos e importantes desafios. Como dizer não ao povo? Pela excelente gestão na Prefeitura de Curitiba Beto não é mais dono de si. Nunca antes neste Paraná alguém enfrentou corajosamente –e sozinho – um conjunto formidável de forças políticas (governo federal, governo estadual, principais grupos industriais, principais cooperativas e empresas do agro-negócio, além da maior parte da grande imprensa) e manteve-se na liderança da campanha. Coragem, ousadia de mudar, de construir coisas novas, de arriscar-se , de abrir-se ao mundo – e não agir só quando se obtém a unanimidade – porque a unanimidade pode demorar, as demandas são urgentes e as responsabilidades de cada um são intransferíveis.
ESSE É O BETO.
OUTRA COISA: Osmar também não é um Urtigão mal-humorado, que fecha a gaveta nos dedos de manhãzinha todo dia antes de ir trabalhar. Trata-se de um homem sério, de princípios sólidos, de costumes arraigados. Já o jovem que gosta de pilotagem e um dia foi chamado de play-boy e piá de prédio, provou ser maduro de espírito, ter a mente arejada e eclética, ser competente e fazer política bem ao gosto do paranaense, que é um povo avançado.
E assim vai.