Arquivos de setembro de 2010

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da Folha de S. Paulo

Após receber uma ligação do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes interrompeu o julgamento de um recurso do PT contra a obrigatoriedade de apresentação dos dois documentos na hora de votar.

Serra pediu que um assessor telefonasse para Mendes pouco antes das 14h, depois de participar de um encontro com representantes de servidores públicos em São Paulo. A solicitação foi testemunhada pela Folha.

No fim da tarde, Mendes pediu vista, adiando o julgamento. Sete ministros já haviam votado pela exigência de apresentação de apenas um documento com foto, descartando a necessidade do título de eleitor.

A obrigatoriedade da apresentação de dois documentos é apontada por tucanos como um fator a favor de Serra e contra sua adversária, Dilma Rousseff (PT).

A petista tem o dobro da intenção de votos de Serra entre os eleitores com menor nível de escolaridade

fotoMoacyrLopes

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O Financial Times publicou hoje – e o UOL reproduziu – um artigo importante sobre as eleições e a realidade social e econômica do Brasil. Vale a pena ler.

 Alguns trechos:

“O país já é um importante centro regional para formação de capital; a previsão é de que até 2025 ele seja uma das cinco maiores economias do mundo”.

“Para Luis Alberto Moreno, chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento, os maiores riscos enfrentados pelo Brasil são “complacência e excesso de confiança”.

“Dilma Rousseff, a ex-ministra da Casa Civil que parece que vencerá com facilidade a eleição, tem concorrido com a promessa de mais do mesmo. Uma ex-diretora da Petrobras, a tecnocrata austera –às vezes apelidada, de forma previsível, de “Dama de Ferro”– acredita firmemente no poder de um Estado atuante”.

“José Serra, o governador centrista de São Paulo, não tem conseguido avançar com uma plataforma que parece ser uma versão mais enxuta, mais eficiente, das políticas voltadas para o social de Lula”.

“Apesar de seus sucessos, o Brasil permanece de muitas formas um país altamente desigual, que está gastando além do que ganha. Apesar de a pobreza ter caído em um terço durante a última década, mais de um quinto dos 200 milhões de habitantes do Brasil ainda são considerados oficialmente pobres. A dívida pública caiu, mas o país ainda depende de reservas estrangeiras para poder financiar a si mesmo. Apesar do boom de exportação de commodities, a previsão é de que seu déficit em conta corrente neste ano seja de 3% do produto interno bruto. Ele poderá aumentar no próximo ano”.

“A violência que ainda atormenta suas infames favelas torna o Brasil um local ainda mais perigoso do que o México afligido pelo narcotráfico”.

“ Em outros lugares, tamanha desigualdade poderia levar a um conflito civil aberto. Mas a generosidade dos brasileiros, sua predileção pela tolerância e conciliação –ou complacência, como dizem alguns críticos– têm afastado uma maior violência”.

“Tudo isso cria uma plataforma que sugere que o recente desempenho do país será mais do que fogo de palha –mesmo com o Brasil sem dúvida sendo um beneficiário felizardo do boom de commodities e da abundante liquidez global, condições que não durarão para sempre”.

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do jornal O Estado do Paraná

Seguindo a mesma metodologia de sondagens anteriores, nova pesquisa do Instituto Datafolha, contratada pela RPC-TV e pelo jornal Folha de São Paulo, com intenções de voto para governador do Estado e prevista para ser divulgada hoje foi novamente suspensa pelo juiz Nicolau Konkel Júnior, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), após pedido de impugnação da coligação “Novo Paraná”, do candidato tucano Beto Richa.

É a quarta pesquisa com intenções de voto para governador suspensa no Paraná e a segunda do Instituto Datafolha, desde a semana passada. A argumentação do advogado da coligação “Novo Paraná”, Ivan Bonilha (v. foto),  para a nova impugnação é que o Datafolha continuou com o seu método de registro, sem discriminar entrevistados por grau de instrução, sexo e faixa etária, que é o mesmo empregado em todos os estados do Brasil.

“O Datafolha manteve os mesmos desvios, não abriu sua planilha amostral. Isso põe em dúvida a credibilidade do Datafolha como pesquisa isenta e bem estruturada”, afirma Bonilha.

A contestação sobre o método do Datafolha surgiu apenas no Paraná. Nos demais estados, as pesquisas para governador têm sido divulgadas normalmente. A falta de informação por aqui causou protestos na coligação adversária, “A União Faz um Novo Amanhã”, do pedetista Osmar Dias.

“Imagine se fosse o PT do Paraná que tivesse pedido a suspensão da divulgação das pesquisas. Iriam nos crucificar em praça pública, iriam dizer que nós estávamos promovendo a censura”, respondeu o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Foto/ÁtilaAlberti

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 da Redação

Sempre que possível, este site procura traçar para seu leitor um painel abrangente das melhores opiniões sobre as eleições em andamento para que se possa formar um juízo do que ocorre também por trás dos fatos, já que a revolução tecnológica produz o fenômeno da “informação excessiva”,  e é preciso encontrar caminhos livres nesta selva para alcançar o cálice sagrado, a informação qualificada, aquela que realmente importa.

Mas não está sendo uma tarefa fácil. As pesquisas, por força de ordem judicial, não podem ser publicadas. Cada candidato proclama-se líder na preferência popular. E os ânimos ficaram exaltados, não só na seara da disputa para governador como também na de Presidente, que caminhava tranquila, com todos acreditando numa vitória esmagadora e antecipada da candidata Dilma Rousseff.  Eis que surge um fiapo de luz no fundo do túnel da oposição indicando que poderá haver segundo turno se a candidata do PT continuar  perdendo alguns pontinhos diariamente. Haverá, naturalmente, uma reação para conter o crescimento de Marina Silva e acabar com as esperanças de José Serra ainda no primeiro turno. Vamos aguardar.  A eleição para o Senado e demais cadeiras legislativas ficou num plano secundário, mas algumas informações apontam que a derrama nas cidades médias e pequenas, através de lideranças locais, tem sido chocante.

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 José Roberto Toledo

O  Datafolha publicou o relatório da pesquisa feita nesta segunda-feira. Eis as mudanças mais interessantes:

1)
Marina Silva (PV) cresceu 6 pontos no eleitorado de nível superior e empatou com Dilma Rousseff (PT), que caiu 7. Tecnicamente, os três estão empatados: José Serra (PSDB) tem 34%, Marina chegou a 30% e Dilma caiu para 28%.

2) A queda de Dilma ocorreu em todos os segmentos de escolaridade e renda, o que indica um refluxo da onda vermelha. Uma variação negativa de 2 pontos no eleitorado que estudou até o ensino fundamental tem um peso maior do que de 7 no nível superior. Está dentro da margem de erro, mas a consistência do movimento em todos os estratos sugere uma queda de fato.

 3) Serra caiu 4 pontos no segmento que ganha de 5 a 10 salários mínimos (SM), e está tecnicamente empatado com Marina nesse eleitorado: Dilma tem 36%, Serra tem 30% e Marina tem 26%. Como o tucano ganhou 2 pontos no segmento anterior (renda de 2 a 5 SM) e 3 pontos no seguinte (+ de 10 SM), ficou estável na média geral.

4) As mulheres foram as principais responsável pela queda de Dilma no Datafolha: menos 5 pontos. Se Dilma não se eleger no primeiro turno, será por causa do voto feminino. Ela tem 51% entre os homens (55% dos votos válidos masculinos) e 42% entre as mulheres (48% dos válidos femininos) ( … )

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Luiz Fernando Veríssimo

” ( … ) Até agora as notícias de corrupção na Casa Civil não afetaram os índices da Dilma. Estou escrevendo na terça, talvez as últimas pesquisas mostrem um efeito retardado. Mas ainda faltam dez dias de manchetes e duas edições da “Veja”, quem sabe o que virá por aí?

O governo Lula tem um bom retrospecto na sua competição com o noticiário. A popularidade do Lula não só resistiu a tudo, inclusive as mancadas e os impropérios do próprio Lula, como cresceu com os oito anos de denúncias e noticiário negativo.

Desde UDN x Getúlio nenhum presidente brasileiro foi tão atacado e denunciado quanto Lula. Desde sempre, nenhum presidente brasileiro acabou seu mandato tão bem cotado.

Acrescente-se ao paradoxo o fato de que o eleitorado brasileiro é tradicionalmente, às vezes simplisticamente, moralista. Elegeu Janio para varrer a sujeira do governo Juscelino, elegeu Collor para acabar com os marajás, aplaudiu a queda do Collor por corrupção presumida e houve até quem pedisse o impedimento do Itamar por proximidade temerária com calcinha transparente.

Mas o moralismo tornou-se politicamente irrelevante com Lula e, por tabela, para os índices da Dilma . É improvável que volte a ser decisivo em dez dias. Mas nunca se sabe. O que talvez precise ser revisado, depois dos oito anos do Lula e depois destas eleições, quando a poeira baixar, seja o conceito da imprensa como formadora de opiniões.

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Lauro Lisboa, da Veja

A resposta mais provável é “não”, por mais que os serristas odeiem ouvi-la. Mas e as pesquisas dos últimos dias, todas mostrando a diminuição da diferença de Dilma Rousseff para José Serra e Marina Silva?

O.k., as pesquisas foram unânimes em verificar esse estreitamento, mas ainda não é algo que se configure em tendência. Quem tem acesso às pesquisas diárias feitas por encomenda dos partidos observa, por exemplo, que a flutuação de pontos entre Serra e Dilma fica sempre entre 25 e 30 pontos percentuais. Essa diferença manteve-se nas pesquisas divulgadas nos últimos dias.

Para que haja segundo turno, é obrigatório que Dilma perca mais de meio milhão de votos por dia até domingo que vem (ou mais precisamente 715 000 votos diariamente). Apesar de as revelações do escândalo de Erenice e seu bando (de familiares) serem chocantes, o grosso do eleitorado não se comoveu. Não é  pouca coisa, portanto, virar tanto voto de Dilma.

Até porque o PT também aprendeu com erros da campanha de 2006 – e não se imagina que irá repeti-los. Não está se falando aqui dos aloprados: essa estrepolia – ou crime – petista acabou sendo repetida, sim, no caso da quebra de sigilo de tucanos. O erro que o PT não tornará a fazer é fugir do debate da Globo, coisa que, somado ao escândalo dos aloprados, efetivamente tirou das mãos de Lula a vitória no primeiro turno quatro anos atrás ( … )

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 Marina Silva aproveita as brechas abertas da disputa e consegue surpreender na reta final. É o sonho do Partido Verde e o pesadelo dos tucanos. Veja como Marina analisa suas chances neste trecho de uma entrevista à Folha de S. Paulo:

A sra. afirmou que só critica o Bolsa Família quem não sabe o que é passar fome. A oposição passou muitos anos batendo no programa. Ela se distanciou do povo?

Houve falta de sensibilidade para um problema grave, que precisava ser enfrentado. Isso se revela nos discursos, mas também na ausência de políticas consistentes para esses segmentos da sociedade durante muitos anos [no governo tucano]. Agora vejo o candidato José Serra dizendo que vai dobrar o Bolsa Família, dar o décimo-terceiro do Bolsa Família. Pergunto se o partido dele [PSDB] e o DEM, que criticaram tanto o programa, estão fazendo uma revisão, ou se é só em função da eleição.

O eleitor percebe isso?

As pessoas percebem quando você está levantando uma questão como compromisso, e não apenas como promessa. Quando você está reconhecendo um ganho real ou está fazendo uma apologia para faturar.

A sra. ficou sozinha na defesa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso…

As pessoas perguntam por que falo do Plano Real e do FHC, se nem o Serra o defende. Dizem que tira voto. Não falo para ganhar voto, falo porque é justo. Reconhecer ganhos do Real e da política social de Lula é ter um olhar honesto para a História.

Serra foi para o ataque, mas a sra. foi quem cresceu com os escândalos. Por quê?

Porque sou a terceira via que o eleitor está buscando. O eleitor compreendeu que a Dilma e o Serra são muito parecidos, que as alianças que eles têm são mais do mesmo. Há uma repetição quase neurótica do discurso político, sem nada de novo. O eleitor está cansado de ver isso. Ele quer alguém que olhe para as questões graves e não faça discurso populista para faturar a eleição, dizendo que vai resolver tudo num passe de mágica. Agora as pessoas prometem tudo. A gente tem que respeitar a inteligência do cidadão.

Foto/FábioMotta

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Lula ao menos conseguiu fazer com que algumas empresas de comunicação (para não ficarem mal com o público) assumissem mais claramente suas preferências partidárias.

O jornal O Estado de S. Paulo  assumiu que é Serra. Veja:

” ( … ) Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País ( … ) 

 A Folha de S. Paulo disse que é “independente e pluripartidária”. A Veja nada falou.

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Dez Filmes Que Todo Empresário Deveria Assistir é o título de uma compilação de produções de Hollywood, publicada na revista Exame, que aborda o mundo dos mercados, decisões individuais e desafios.

Um dos filmes é O Equilibrista, um documentário que conta como, em 1974, Philippe Petit surpreendeu o mundo ao atravessar o vão entre as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, por um cabo de aço suspenso a 411 metros de altura. O filme é baseado no livro do próprio Petit, To Reach the Clouds.

Veja mais dicas AQUI 

São Paulo –

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Um novo video conceitual, desta vez sobre o futuro do livro.

The Future of the Book. from IDEO on Vimeo.

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 LULA AMENIZOU ontem suas críticas a grande imprensa. Desde quando começou a disparar contra a mídia colheu de volta uma reação nervosa que refletiu na campanha de Dilma e também na sua imagem de democrata.

O PT é, desde 1979,  um partido em construção. No governo fez coisas ótimas e cometeu erros grosseiros na mesma proporção. Um dos mais graves é o aparelhamento do estado. Outro, não demarcar com rigor as fronteiras éticas no governo, como se  não fizesse parte da educação política das classes C, D e E.  Não há projeto de País para a segurança, a saúde, a educação; o PAC, todo mundo sabe, é apenas um enfileiramento de obras.

AO CRITICAR OS jornais e revistas Lula foi genérico. Não ressalvou que a imprensa é fundamental e que a liberdade de opiniões precisa ser mantida a qualquer custo. Disse apenas que a imprensa era tendenciosa e parcial, que tinha candidato mas não assumia. E que apenas 9 ou 10 famílias controlavam a mídia no país. O monopólio é verdadeiro.

(Reflexão: se os banqueiros ganham dinheiro com Lula, se a economia vai bem, quem a grande imprensa  está defendendo, então? Trata-se de um reduto tucano, podem dizer. É isto mesmo?)

NINGUÉM SABE francamente o que Dilma vai fazer no governo. Já a definiram como uma dirigente tosca, esquemática, simplista, estaria longe  de ser uma pessoa abrangente  capaz de definir e filtrar situações complexas, ou de integrar diferentes conceitos. Se era assim, cresceu. Ela disse, esses dias, que é preferível mil jornais abertos e funcionando, atacando-a, do que o silêncio das ditaduras.

MAS LULA deixou escapar que é  preciso fazer marcos regulatórios no campo da informação. O que é isto?  Quando é obscuro, vago, Lula vira messiânico e dá margens ao absurdo. 

PARA TERMINAR: uma pesquisa nacional na semana passada apurou que 80% da população brasileira  aprova o que faz a grande imprensa e também o que faz Lula. Seria terrível se este entrechoque desaparecesse.

O BRASIL É ASSIM….

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O CANDIDATO Osmar Dias  disse em seu último comício em Curitiba, com Lula, que suas pesquisas internas mostravam que já passou Beto Richa.  Blogs ligados ao pedetista argumentam que  as sucessivas impugnações de pesquisas  por parte de Beto e aliados seriam a prova irrefutável  de que o tucano não é mais o primeiro. Outro sinal: os ataques frontais a Osmar, cada vez mais freqüentes, e que dão novo rumo a campanha de Beto, antes recatada, embalada num ritmo técnico e com viés edificante.

BETO DIZ diz que não é nada disso. Que está contestando algumas pesquisas  – Vox-Populi, Data-Folha e Ibope -porque seus resultados estavam sendo divulgados antes ainda da tabulação. Além disso, conteriam graves furos na metodologia. Quanto aos ataques, diz que se considera vítima, e apenas responde às agressões, que são muitas.

CONTINUAREMOS no escuro até as eleições? É possível.

O PERÍODO é propício no entanto para que vejamos  estes dois personagens pelos olhos de seus marqueteiros que se empenham em criar eufemismos para os chefes e dar um novo sentido a suas atitudes. Osmar Dias, por exemplo, que foi chamado de lento, inseguro e vacilão na pré-campanha, pois não queria correr risco algum e buscava formar uma frente ideal, é apresentado agora como um homem prudente, que soube unir os contrários acima dos extremismos e ainda fez concessões, teve enorme tolerância com Requião e assumiu-se lulista, suportando incompreensões da turma conservadora. Estrategicamente, neutralizou Beto até onde pôde, deixando-o numa longa espera – a noiva na janela - para ganhar tempo e pressionar Lula e o PT.

ESSE É O OSMAR.

BETO FOI ACUSADO de desprezar os eleitores e deixá-los a ver navios na metade de seu mandato de prefeito de Curitiba – mas as coisas devem ser examinadas por outro ângulo. Eis o exemplo de alguém que não foge às convocações do eleitorado para enfrentar novos e importantes desafios. Como dizer não ao povo? Pela excelente gestão na Prefeitura de Curitiba Beto não é mais dono de si. Nunca antes neste Paraná alguém enfrentou corajosamente –e sozinho – um conjunto formidável de forças políticas (governo federal, governo estadual, principais grupos industriais, principais cooperativas e empresas do agro-negócio, além da maior parte da grande imprensa)  e manteve-se na liderança da campanha. Coragem, ousadia de mudar, de construir coisas novas, de arriscar-se , de abrir-se ao mundo – e não agir só quando se obtém a unanimidade – porque a unanimidade pode demorar, as demandas são urgentes e as responsabilidades de cada um são intransferíveis.

ESSE É O BETO.

OUTRA COISA: Osmar também não é um Urtigão mal-humorado, que fecha a gaveta nos dedos de manhãzinha todo dia  antes de ir trabalhar. Trata-se de um homem sério, de princípios sólidos, de  costumes arraigados. Já o jovem que gosta de pilotagem e um dia foi chamado de play-boy e piá de prédio,  provou ser maduro de espírito, ter a mente arejada e eclética, ser competente e fazer política bem ao gosto do paranaense, que é um povo avançado.

E assim vai.

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 A notícia se espalhou rapidamente mas à noitinha o candidato a senador Ricardo Barros  negou que esteja se bandeando para a campanha de Osmar Dias. Ele explicou que não concordou quando lhe pediram que cedesse seu tempo na tv para Beto Richa nesta reta final. “Tenho problemas com o PSDB e isso eu não vou negar, mas não vou fazer campanha para qualquer outro candidato que não seja da minha coligação no Paraná. Apenas recebi uma consulta para aumentar a exposição do Beto e neguei. Por conta disto estão criando uma crise interna”, confirmou Barros.

“O fato concreto é que eles me deixaram nesta eleição e estão direcionando as forças deles para outro candidato ao Senado (Gustavo Fruet) . Mas estou muito bem nas pesquisas, crescendo nos últimos instantes como havia programado. Isso fez com que eu mudasse de postura e não esperasse ajuda deles. Estou consolidando um novo caminho, que passa pela busca de outros apoios, de uma rede nova para minha candidatura”, confessou. “Política é assim mesmo é como um tabuleiro de xadrez. A gente vai mexendo as peças. Dependendo do jogo, a gente dá um xeque-mate”.

Não é a primeira vez que que Ricardo Barros roda a baiana na campanha tucana. Nos primeiros dias ele também criticou a suposta “preferência” do comando da campanha pelo candidato Gustavo Fruet.