O cineasta José Padilha está para bater o record nacional de espectadores com seu Tropa de Elite 2, um filmão sobre a transformação do Rio em praça de guerra, o combate aos traficantes nos morros do Rio e a corrupção policial. A marca de maior bilheteria pertence a Dona Flor e seus Dois maridos, que nos anos 70 levou ao cinema um público de 10 milhões e 200 mil pessoas. Padilha calcula que o Tropa já ultrapassou há algum tempo o filme de Bruno Barreto e está convencido que abriu um novo caminho para o cinema nacional fazendo a abordagem política da realidade.
O gosto pela narrativa dramática mostra que Padilha está se assemelha em muita coisa a Oliver Stone e tem o mesmo gosto polêmico para iluminar os bastidores do poder que Michael Moore. Além de fazer filmes movimentados e emocionantes ele é super-ligado a situação nacional. Veja o que ele diz:
“Para o brasileiro, é mais importante mudar a regra [do processo eleitoral] do que ficar discutindo o resultado [das eleições].
“Os políticos disputam cargos no governo para fazer caixa do partido e de campanha para disputar as próximas eleições. Esse tipo de processo favorece a corrupção. Não se pensa no bem comum”.
“Achei que foi muito mercadológica (a recente campanha do segunto turno). Sem coração e, talvez, até sem coragem. Para o Serra, principalmente, achei que faltou coragem. A [comentarista ] Miriam Leitão disse – e eu concordo: durante a campanha, nunca se falou em retomar o imposto da CPMF, mas depois o assunto veio à tona rapidamente.”
Padilha não pensou em fazer o Tropa 3, no momento está focado num título fabuloso para seu próximo filme: “Nunca Antes na História desse País“. Ele já escreveu duas versões do roteiro. Segundo o cineasta, não há, por mais que isso possa parecer estranho, ligação com a realidade. “A ideia básica é de ficção”, alerta. “Um partido de esquerda idealista e com o monopólio da ética tem uma chance de eleger um presidente. Como vai abrir mão de seus ideais para conseguir eleger o presidente e assumir o poder? Esse seria o primeiro ato, apenas, mas a história continua.”