Muita gente avalia que tem custado caro a cidade a sequência de medidas adotadas no âmbito da saúde municipal desde que os problemas de atendimento se agravaram nos postos, com a falta de médicos, principalmente. Tenta-se de tudo.
Entre os que criticam essas medidas não estão somente o pessoal da oposição, do PT ou PSDB, de olho nas eleições municipais do ano que vem. O drama na saúde é verdadeiro e a exploração política uma mera consequência dos fatos.
O modelo de saúde de Londrina, construído nos anos 70 por médicos com visão social humanista e de esquerda (muitos eram ligados ao velho PCB) teve um papel importante na reforma sanitária brasileira e tornou-se uma referência que mais tarde ajudou a embasar o projeto do SUS, que dá autonomia de gestão às cidades. Por razões diversas, a prefeitura de Londrina veio abandonando ao longo dos anos o seu papel de gestora do sistema municipal de saúde. É a prefeitura quem deveria controlar o atendimento dos postos de saúdes, hospitais públicos, filantrópicos, particulares; monitorar as demandas do prontos-socorros, conferir a necessidade leitos e médicos, apontar caminhos e soluções rapidamente.

Num quadro assim, em que existe um verdadeiro salve-se-quem-puder nos postos de saúde vozes municipais reclamam que o prefeito transita numa espécie de universo paralelo, confiando que, mais tarde, isso será resolvido e tudo ficará bem. Ficará bem se as soluções forem corretas. Vereadores afirmam que as medidas anunciadas pelo prefeito são “meigas e suaves” diante da situação periclitante; e há um fato novo no panorama: as leis de mercado passaram a imperar com mais veemência no território da saúde pública e isto significa que há novos interesses em pauta. Antes, não era tão evidente.
Mas por que a prefeitura não dialoga com os médicos? Por que demora tanto em conceder-lhes um aumento já que esta seria a maior reclamação, e, aparentemente, não está faltando dinheiro na prefeitura? Por que não encontra uma solução com a Associação Médica? Por que a atitude conflituosa, de saída, e não se vai ao HU traçar um plano de emergência com internos do sexto ano de medicina e residentes cujos estudos, gratuitos, são bancados pela população pobre e rica de Londrina? Por que as soluções são sempre parciais e solitárias? Por que não se convoca as lideranças da cidade e coloca-se este assunto na mesa?
Barbosa pode dizer que não é responsável pela dengue e nem pela contratação inicial do CIAP, por onde se desperdiçou muito dinheiro, e isto é verdade, mas corre o risco de perder o controle da área mais delicada, urgente e tensa da sua administração, justo aquela para onde prometeu não faltar a atenção básica e médicos especialistas (pediatras, ginecologistas, cardiologistas, neurologistas) e ampliação da estrutura.
A rede de saúde de Londrina merece ser pensada de novo. E o momento é apropriado já que se conseguiu há poucos meses um aumento no percentual do SUS para a cidade e as forças políticas estão sendo cobradas diante da problemática que se arrasta nos postos. A “sala da situação”, onde funciona, pela primeira vez, um monitoramento dentro da prefeitura para se acompanhar a evolução dos casos de dengue pode servir para se monitorar também os postos de saúde. E qualificar a gravidade das situações.