Uma das fotos mais interessantes dos últimos anos na política do Paraná capta um governador descendo faceiro de um avião de carreira para cumprir compromissos em Londrina.
Não se vê isso todo dia.
Se soubessem como a população recebe com simpatia esse tipo de atitude - como conta pontos exibir simplicidade e austeridade na condução dos atos à frente do Poder – todo governador trataria de controlar a volúpia diante das mordomias oferecidas pelos cargos que ocupam provisoriamente. A mordomia da vez é a tentação de se comprar um avião novo para o deslocamento de Beto Richa.
O Palácio Iguaçu aposentou recentemente sua pequena frota de aeronaves. É importante o governo possuir o seu próprio avião para os casos de necessidade vital. Mas, quando a agenda permitir, por certo faria bem ir a Foz do Iguaçu ou Maringá, como as demais pessoas fazem, embarcando pelo saguão do aeroporto, sentindo de perto a realidade, longe da bajulação existente no palácio e na aeronave privativa.
O Paraná é um estado pequeno porém é o quarto mais rico diante do quadro geral das condições brasileiras, e tem fornecido bons exemplos nacionais em vários terrenos. Nossos políticos também ambicionam a Presidência da República. Atitudes franciscanas, menos imperiais, são apreciadas pelo cidadão de todos os cantos.
Não é preciso calçar sandálias com meia nem usar um surrado blusão jeans, como Requião, pois o excesso de informalidade pode parecer excêntrico e pernóstico, dependendo do tipo de compromissos que se tenha pela frente. É possível preservar a solenidade da posição com sobriedade e atitudes despojadas (sem o engessamento cadavérico como sugeria o ex-presidente Sarney na sua famosa “liturgia do cargo” )- e neste receituário universal subir e descer eventualmente de um avião de carreira é um contraponto natural e despretensioso ao dia-a-dia midiático de governo, instituições e afins.















