Os posts do Blog voltam a ser atualizados hoje (o editor estava em SP, de férias).
Pra quem quiser saber, o clima na capital paulista está seco. Trata-se de uma inversão térmica, a umidade do ar é baixa, as pessoas tossem, espirram e arranham a garganta. É preciso ter junto sempre uma garrafa de água.
As estatísticas provam que os números do crime diminuíram em SP – mas os “nóias” (legião de adictos miseráveis) aumentaram e perambulam por toda a parte como zumbis. Na Cracolândia, uma espécie de cenário dos tempos das pestes medievais, a polícia faz barulho a noite inteira para que os “nóia” não peguem no sono – e assim não vagueiem pelas ruas durante o dia, mostrando aos turistas seus andrajos repugnantes e o que, enfim, se tornaram.
Os exibidores de Harry Potter gastaram fortunas em marketing para o promover em SP o lançamento do último filme da série. Em todas os principais shoppings (Bourbon, Villa-Lobos, Higienópolis, Ibirapuera, Center Norte, Morumbi, Interlagos) ocorreram eventos comemorativos com os personagens da escola de Hagwarts. A escritora J.K Howlings (de semblante permanentemente triste) virá ao Brasil. Pode-se debitar a ela a proeza de ter ensinado a milhares de crianças o gosto pela leitura.
O centro de São Paulo está sendo restaurado e preservado. A Prefeitura, que criou a lei Cidade Limpa, incentiva com isenções totais de IPTU os comerciantes que melhoram suas fachadas. Curioso: sem os painéis a cidade está mais gótica, os prédios preto em branco, como num postal dos anos 50. Os que amam a arquitetura se deliciam com prédios imensos que parecem fora-de-moda e que tiveram um papel importante na ruptura com um passado urbano na cena brasileira: Martinelli, Banespa… O Copan de Niemeyer continua lindo. O que fazer com o Minhocão? O prefeito Kassab promete demolir a grande cicatriz urbana que liga a praça Roosevelt a Barra Funda, só não tem bem certo o que por no lugar: trem de superfície? outro minhocão lá na frente? Urbanistas paulistanos, isso é praxe, deleitam-se (e sofrem ) com a matéria….
O ex-presidente Lula está procurando um grande espaço perto da Estação da Luz (pertinho da magnífica Sala São Paulo) para montar o instituto que guardará as memórias de seu governo. (Como se vê, a disputa com FHC, que já possui o seu instituto, ainda não acabou…) Da mesma forma que o de Fernando Henrique, o Instituto de Lula será patrocinado por grandes empresas brasileiras que depois evidentemente vão abater do fisco. Lula se inspira no Museu do Futebol, interativo, criado pelos tucanos e a Fundação Roberto marinho dentro do Estado do Pacaembu e que vale a pena ser visitado. O ex-presidente quer fazer um grande painel dos tempos do regime militar.
Nas lojas, Ipods e tablets fazem a sensação da garotada. A Motorola e a Samsung apresentam as suas armas para roubar clientes da Apple. Difícil. Este é tipo de cliente fiel e apaixonado, orgulhoso da eficiência de suas pequenas máquinas e devoto incondicional de Steve Jobs, um inventor de espécie messiânica. É intrigante vê-lo, mesmo doente, subir ao palco para falar de suas criações. O público adora e reverencia.
Pela grandeza e funcionalidade, a nova Livraria Cultura do Conjunto Nacional virou point turístico. Há fotos incríveis da família real brasileira no Instituto Moreira Salles da rua Piauí (como esta, ao lado, da Princesa Isabel, maravilhosamente nítida). A Classe C invadiu os aeroportos. Mesmo em épocas de férias, SP está cheia de carros e congestionamentos, graças a Lula, que preferiu incentivar a indústria automobilística, que o gerou, do que o transporte coletivo; aumentou o número de heliportos na capital paulista e helicóptero é táxi comum comum para muita gente; no futebol, além da descrença (não é de hoje) com o futebol da seleção, muita expectativa em torno de Tévez no Corinthians e reforços no Palmeiras; sim, São Paulo vai alagar de novo….Em janeiro.