Serra, Beto, Sem-Terra, Visatec, Invasão Fiscal. Uma quinta-feira com baixa umidade
Mais de 700 PMs foram mobilizados para desalojar sem-terras de 7 fazendas do Norte do Paraná, em cumprimento a mandados de reintegração de posse. Deu briga, teve gente ferida. É uma nova postura: normalmente, o Governo do Estado pensa quinhentas vezes antes de mexer num vespeiro desses, principalmente em época de eleição. Não quiseram mais segurar? O governo recebeu um ultimato de quem? É um afago na turma do agro-negócio? Por isso Pessutti foi pra Disney e Osmar finge que não é com ele? O que houve?
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É um fenômeno curioso: José Serra está perdendo em estados onde seus candidatos a governador estão na frente, como São Paulo e Paraná. Em SP, estado que Serra administrava até outro dia e o PSDB ocupa o poder há 16 anos, Geraldo Alckmin deve faturar no primeiro turno. Pode também acontecer com Beto Richa no Paraná. Mas Serra perde aqui para presidente. Uma leitura que fazem é a de que as questões regionais não acompanham mais a tendência nacional. Por que será? Serra é centralizador, não costuma ouvir ninguém e esse comportamento pode ter afastados muitos aliados importantes nos estados. Tem gente se descolando da campanha dele. Será que é isso?
O mesmo fenômeno pode ser constatado de maneira inversa no Paraná. Dilma Roussef virá dar um empuxo na candidatura de Osmar Dias, aproveitando seu crescimento nas pesquisas. Se um candidato a governador como Beto não garante o crescimento de Serra será que a candidata Dilma pode assegurar a ascensão de Osmar? Ou tá tudo descolado?
Alguém tá considerando o fator Lula?
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O caso da violação do sigilo fiscal de várias pessoas por funcionários da Receita Federal (a lista inclui tucanos proeminentes, a apresentadora Ana Maria Braga e os donos das Casas Bahia) coloca o Governo Federal em maus-lençóis. Serra se precipitou (o ministro Paulo Bernardo o chamou por isso de “leviano”) ao acusar diretamente o PT e a campanha de Dilma Rousseff pela invasão, mas se o tucano estiver certo este caso será quase uma analogia de Watergate, que depôs um presidente em nome dos direitos individuais e do respeito a privacidade. Estamos longe da cristalização desses valores entre nós. Mesmo assim, foi no mínimo insólita a reação de menosprezo do governo ao assunto, que é gravíssimo. Ninguém sabe por que fizeram isso, se estamos diante de uma conspiração ou se a Receita Federal já não é mais aquela receita de outros tempos, instituição venerável, indevassável e impessoal que zelava pela honorabilidade fiscal do cidadão brasileiro.
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Doeu em Barbosa Neto mandar o secretário de obras Marcelo Teodoro endurecer com a Visatec? Barbosa conhece a família Janene há muito tempo, apresentou comícios para José, o mais famoso do clã – mas na cadeira de prefeito parece perceber que na máquina pública a tolerância, se nunca é milimétricamente zero, também não pode ser extraordinariamente folgada, pra mais de mil. A Visatec atrasa repetidamente seus contratos. No caso do viaduto da PR-445, é acusada pela Sanepar de iniciar a obra ignorando o que havia debaixo da terra (uma adutora). Poderia ter concluído algumas benfeitorias, não o fez. Como de hábito, a empresa ameaçou levar o caso à Justiça para paralisar a obra e encurralar o prefeito.



Sabe pra quem vai sobrar essa bucha da Receita? Não é pros chefes, não. É pros funcionários, sim senhor. Os bagrinhos sempre pagam o pato, essa é a triste verdade. Os grandes vão fazer de conta que não é com eles e nós brasileiros ficamos perguntando: mas esse povo não respeita nem a Receita Federal?